Vai ser preso? Após data de julgamento marcada, Bolsonaro fala pela primeira vez sobre o caso

A recente celeridade no andamento do processo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF) gerou intensos debates e comparações com outros casos emblemáticos da política nacional. Em entrevista ao podcast “Flow”, na sexta-feira (14), Bolsonaro questionou a velocidade com que sua denúncia foi encaminhada para julgamento, traçando paralelos com o processo do Mensalão e com a condenação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Operação Lava Jato.
Bolsonaro critica velocidade de seu julgamento
Durante a entrevista, Bolsonaro destacou que a Polícia Federal (PF) passou mais de dois anos investigando o caso. Ele também mencionou que, considerando o inquérito das fake news, a apuração teria se estendido por seis anos. No entanto, segundo ele, sua defesa teve apenas 15 dias para apresentar argumentos, um prazo que incluiu o feriado de Carnaval.
“Deram 15 dias para as razões de defesa, incluindo Carnaval. Tem mais de cem mil páginas”, disse o ex-presidente, sugerindo que o tempo concedido para sua defesa seria insuficiente para uma análise aprofundada do caso.
Comparações com o Mensalão
Bolsonaro também trouxe à tona o caso do Mensalão, um dos maiores escândalos de corrupção da história recente do Brasil. O ex-presidente exibiu uma imagem comparando os prazos processuais: enquanto o escândalo teve seu início em 2005 e o julgamento ocorreu apenas em 2012, ou seja, sete anos depois, seu próprio caso foi denunciado em novembro de 2024 e marcado para julgamento em março de 2025, em um intervalo de apenas quatro meses.
Paralelos com a Lava Jato e a prisão de Lula
Além do Mensalão, Bolsonaro comparou sua situação ao julgamento do presidente Lula no âmbito da Operação Lava Jato.
“Primeira coisa, o Lula foi julgado onde? Na 13ª Vara de Curitiba. É o meu caso. Tanto é que agora, semana passada, o Supremo mudou o entendimento disso”, afirmou o ex-presidente, referindo-se a recentes mudanças de jurisprudência do STF sobre a competência para julgar determinados casos.
Bolsonaro ressaltou que sua principal demanda é garantir que o “devido processo legal” seja respeitado, sem influências externas ou julgamentos precipitados.
STF acelera julgamento
Na quinta-feira (13), o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, liberou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) para julgamento. Poucas horas depois, o presidente da Primeira Turma do STF, ministro Cristiano Zanin, marcou a análise para os dias 25 e 26 de março.
A rápida tramitação do caso fez Bolsonaro recorrer às redes sociais para criticar a postura do Judiciário. No X (antigo Twitter), ele ironizou a velocidade com que o julgamento foi marcado:
“Parece que o devido processo legal, por aqui, funciona na velocidade da luz. Mas só quando o alvo está em primeiro lugar em todas as pesquisas de intenção de voto para Presidente da República nas eleições de 2026.”
Repercussão e impactos políticos
A decisão do STF e as declarações de Bolsonaro rapidamente se tornaram tema central no debate político. Aliados do ex-presidente sustentam que a velocidade incomum do julgamento seria uma tentativa de afastá-lo do cenário eleitoral de 2026. Já adversários apontam que a celeridade pode refletir a gravidade das acusações contra Bolsonaro.
Setores jurídicos e especialistas divergem sobre o tema. Alguns defendem que casos envolvendo ex-presidentes e questões sensíveis devem ser analisados com urgência para garantir transparência e segurança institucional. Outros argumentam que o princípio da ampla defesa poderia estar sendo comprometido pela rapidez incomum do julgamento.
O que esperar dos próximos passos?
Com o julgamento marcado para o fim de março, a defesa de Bolsonaro deve intensificar sua estratégia para adiar a análise da denúncia, alegando cerceamento de defesa. Paralelamente, o cenário político se aquece com as especulações sobre o impacto que a decisão do STF pode ter nas eleições presidenciais de 2026.
A polêmica em torno do caso evidencia um embate entre as instituições e o ex-presidente, que segue mobilizando sua base e criticando as ações do Judiciário. A decisão final do STF poderá não apenas definir o futuro político de Bolsonaro, mas também influenciar os rumos da política brasileira nos próximos anos.
