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Por anos, Jair Bolsonaro se posicionou como defensor da moralidade e do combate à corrupção. Como deputado federal, ele apoiou a Lei da Ficha Limpa, sancionada em 2010 por Dilma Rousseff, que impedia a candidatura de políticos condenados por decisão colegiada. No passado, a medida enfrentou resistência de setores da esquerda, que temiam que a legislação fosse direcionada contra eles.
Em 2018, Bolsonaro utilizou a Lei da Ficha Limpa para contestar a candidatura de Lula à presidência, argumentando que o petista, então preso, não poderia participar da eleição. Já na presidência, ele editou um decreto exigindo que ocupantes de cargos públicos estivessem livres de condenações enquadradas na lei. Em 2019, vetou um dispositivo aprovado pelo Congresso que poderia facilitar a diplomação de políticos barrados pela legislação.
No entanto, seu discurso anticorrupção perdeu força ao longo do governo. A Lava Jato foi esvaziada, Sergio Moro deixou o Ministério da Justiça, e o Congresso recebeu o controle do orçamento. Agora, diante da possibilidade de condenação e prisão, Bolsonaro mudou de posição e passou a criticar a Lei da Ficha Limpa, alegando que ela é usada para perseguir a direita. O ex-presidente quer que a legislação seja revogada ou flexibilizada, num movimento que contraria sua postura inicial.
Nos Estados Unidos, Donald Trump segue caminho semelhante. Recentemente, o ex-presidente ordenou a suspensão de investigações de corrupção corporativa em países estrangeiros, argumentando que isso favoreceria os negócios americanos. A medida enfraquece a aplicação do Foreign Corrupt Practices Act, criado em 1977 para punir empresas envolvidas em suborno no exterior.
Além disso, promotores federais foram instruídos a retirar acusações de suborno contra o prefeito de Nova York, Eric Adams, e o Departamento de Justiça trocou seu principal responsável por casos de corrupção. Trump também concedeu indulto a um ex-governador condenado por tentar vender uma cadeira no Senado.
As mudanças sinalizam um abandono da tradição americana de punir a corrupção. Para Debra LaPrevotte, ex-agente do FBI, tais decisões incentivam a impunidade. “Isso envia uma mensagem de que, daqui para frente, você pode obter bons contratos pagando propinas”, disse ao The New York Times.
Enquanto Trump implementa medidas para enfraquecer o combate à corrupção, Bolsonaro se antecipa e propõe mudanças na Lei da Ficha Limpa para atender a seus interesses pessoais. O aprendiz superou o mestre: Bolsonaro deu o primeiro passo rumo à flexibilização das regras antes mesmo de Trump. Agora, resta saber se a estratégia dos dois funcionará ou se enfrentarão resistência dentro e fora de seus países.
