Foi assim que Bolsonaro reagiu ao saber da nova pena de Débora do Batom

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usou as redes sociais nesta sexta-feira (28) para comentar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de conceder prisão domiciliar à cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, de 39 anos. Débora foi presa preventivamente por ter pichado, com batom, a estátua “A Justiça” durante os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
A decisão do STF veio após um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que recomendou o relaxamento da prisão preventiva da cabeleireira, levando em consideração que ela é mãe de duas crianças menores de 12 anos. Na decisão, Moraes substituiu a prisão preventiva por prisão domiciliar, impondo o uso de tornozeleira eletrônica.
Repercussão nas redes sociais
Jair Bolsonaro comentou o caso com uma curta mensagem no X (antigo Twitter), demonstrando apoio à cabeleireira: “Imagine a felicidade de seus filhos. Débora, o Brasil te ama. Jair Bolsonaro e família.” A postagem gerou ampla repercussão entre seus apoiadores, que viram na decisão do STF um reconhecimento tardio da suposta injustiça cometida contra Débora.
Em outra postagem, feita pouco antes da decisão de Moraes ser divulgada, mas após o parecer da PGR, Bolsonaro questionou os critérios da Justiça no tratamento do caso: “Não houve mudança nos fatos. Não surgiu nenhuma nova prova. Nada mudou. Exceto uma coisa: a vergonha ficou grande demais pra sustentar.”
Críticas ao STF e à Justiça
Bolsonaro criticou duramente a prisão prolongada de Débora, alegando que sua detenção tinha como objetivo gerar medo e intimidação. Em um texto mais extenso, ele argumentou que a medida foi utilizada para “enviar recados” e que, diante da pressão pública, a Justiça teria tentado minimizar os danos:
“A prisão prolongada de Débora nunca teve fundamento. Mas teve utilidade para Moraes: gerar medo, intimidar, enviar recados… Agora que a vitrine rachou, empurram o caso discretamente para debaixo do tapete — mas com tornozeleira, presa em casa, mesmo depois de uma prisão preventiva que se revelou verdadeira ‘antecipação de pena’.”
Quem é Débora Rodrigues?
Débora Rodrigues dos Santos mora em Paulínia, no interior de São Paulo, e viajou para Brasília no dia 7 de janeiro de 2023. No dia seguinte, ela se dirigiu à Praça dos Três Poderes, onde participou dos atos antidemocráticos. Durante a manifestação, usou um batom vermelho para pichar a estátua “A Justiça”, escrevendo a frase “perdeu, mané”, em referência às palavras proferidas pelo ministro Alexandre de Moraes após a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022. Em imagens divulgadas, Débora aparece comemorando o ato diante da multidão.
Reação política e jurídica
A decisão do STF de conceder prisão domiciliar a Débora foi interpretada de diferentes maneiras no meio político. Para apoiadores do ex-presidente Bolsonaro, trata-se de uma vitória moral e um reconhecimento de que a Justiça errou ao manter uma prisão prolongada sem fundamentos claros. Já para setores jurídicos e políticos alinhados ao governo Lula, a decisão segue um procedimento legal comum em casos que envolvem mães de crianças pequenas.
Conclusão
O caso de Débora Rodrigues dos Santos continua sendo um dos diversos episódios polêmicos ligados aos atos do 8 de Janeiro. A discussão sobre os limites da Justiça e da liberdade de expressão segue sendo um tema central na polarização política brasileira. Enquanto Bolsonaro e seus aliados enxergam na decisão do STF um sinal de fraqueza diante da pressão popular, seus opositores destacam que a medida respeita os princípios legais aplicáveis ao caso. O desdobramento da situação de Débora pode influenciar futuras decisões envolvendo outros envolvidos nos atos do 8 de Janeiro.
