Brasil

Bolsonaro convoca apoiadores para protesto contra Lula e pró-anistia

A manifestação marcada para o dia 16 de março, convocada por Jair Bolsonaro e outras lideranças da direita, promete mobilizar apoiadores em diversas cidades do Brasil. No entanto, o ato já nasce envolto em polêmicas e divisões dentro da própria oposição. Em um vídeo divulgado nesta segunda-feira (17), Bolsonaro deixou claro que o impeachment de Lula não está entre as pautas do protesto, o que gerou insatisfação entre aliados e apoiadores mais radicais.

O Posicionamento de Bolsonaro
No vídeo divulgado, Bolsonaro enfatizou os principais temas da manifestação: liberdade de expressão, segurança, custo de vida e os slogans “Fora Lula 2026” e “Anistia Já”. O ex-presidente reforçou o pedido para que os participantes se informem sobre as pautas e a organização do evento em suas cidades.

A declaração, no entanto, deixou evidente uma estratégia mais cautelosa de Bolsonaro. Ao evitar pedir diretamente o impeachment de Lula, ele sugere que a oposição deve aguardar até as eleições de 2026 para tentar remover o petista do poder pelo voto. Essa abordagem gerou desconforto entre figuras proeminentes da direita, que defendem uma postura mais agressiva contra o atual governo.

Críticas de Aliados
Entre os primeiros a questionar a estratégia de Bolsonaro está o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos mais influentes parlamentares da nova geração da direita. Nikolas, que recentemente viralizou ao denunciar o monitoramento de transações via Pix, criticou a ideia de esperar até 2026 para uma mudança no comando do país.

“Graças ao movimento de impeachment da Dilma, Bolsonaro ganhou ainda mais força. Não dá para cravar o futuro assim. Não estou entendendo por que não deixar as pessoas manifestarem sua indignação nas ruas… O poder, pelo jeito, não emana do povo”, argumentou o deputado em suas redes sociais.

Em outra postagem, ele foi ainda mais direto: “O Lula quer gente na rua pedindo o impeachment dele? Pois é, é exatamente por isso que temos que ir.”

Ricardo Salles Também Discorda
Outro nome forte da direita que se opôs à postura de Bolsonaro foi o deputado Ricardo Salles (Novo-SP). O ex-ministro do Meio Ambiente, que chegou a ser cogitado como candidato de Bolsonaro à Prefeitura de São Paulo, também criticou a ideia de esperar até 2026.

“É #ForaLula, não tem essa palhaçada de ‘Fora Lula 2026’ coisa nenhuma. Se der para tirar esse cara o quanto antes, melhor. Se não der, seja por causa do apertado calendário eleitoral ou qualquer outra razão inerente à política, paciência. Daí a gente tira pelo voto em 2026, beleza. Mas o Brasil não aguenta mais essa turma aí não. Chega, já deu”, declarou Salles no X (antigo Twitter).

O Racha na Direita
A divergência de opiniões entre as lideranças da direita mostra que o campo conservador ainda enfrenta dificuldades para alinhar sua estratégia política após a derrota de 2022. Enquanto Bolsonaro adota um tom mais moderado, possivelmente para evitar desgastes judiciais ou atrair novos processos, uma ala mais combativa, representada por nomes como Nikolas Ferreira e Ricardo Salles, defende uma postura mais incisiva.

O desentendimento não se limita às redes sociais. Nos bastidores, há uma disputa sobre os rumos do bolsonarismo e a melhor forma de enfrentar Lula. Alguns analistas políticos avaliam que Bolsonaro busca evitar repetir erros da esquerda durante os protestos contra Michel Temer, quando o pedido de impeachment sem base jurídica concreta não obteve sucesso.

Por outro lado, figuras mais jovens da direita acreditam que uma mobilização popular massiva pode acelerar o desgaste do governo petista e criar um ambiente propício para uma eventual saída antecipada de Lula.

O Que Esperar do 16 de Março?
Apesar das divergências, a manifestação de 16 de março deve reunir um número expressivo de apoiadores da direita em diversas capitais, com destaque para o ato na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, onde Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia estarão presentes. O evento será um termômetro importante para medir a força da oposição e a capacidade de mobilização da direita após um ano de governo Lula.

No entanto, a falta de unidade nas pautas pode gerar um efeito colateral indesejado para o movimento. Se uma parte dos manifestantes for às ruas pedindo impeachment enquanto outra segue a linha bolsonarista de aguardar 2026, a narrativa pode se fragmentar, enfraquecendo o impacto do protesto.

Conclusão
A direita brasileira enfrenta um de seus maiores desafios desde o fim do governo Bolsonaro: a necessidade de unidade para enfrentar Lula. As manifestações de 16 de março serão um indicativo de como a oposição pretende se articular nos próximos anos. Se o movimento conseguir demonstrar força e coesão, poderá se tornar um importante catalisador para a corrida presidencial de 2026. Caso contrário, as divisões internas podem acabar beneficiando o atual governo.

Independentemente do desfecho, uma coisa é certa: a direita brasileira está longe de falar uma só língua.