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7 Anos após f@c4da, confissão de Adelio Bispo deixa todos em choque, foi o… Ver mais

O debate sobre a responsabilização penal e o tratamento de pessoas com transtornos mentais graves voltou ao centro das atenções após a divulgação de um novo laudo médico envolvendo Adélio Bispo, conhecido por ter protagonizado o ataque contra o então candidato Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018. O documento, revelado com exclusividade, traz informações que reacendem discussões jurídicas, médicas e sociais, ao apontar uma mudança relevante no estado de saúde mental do réu, hoje considerado em condição mais delicada do que nos anos anteriores.

De acordo com o laudo mais recente, os especialistas identificaram uma piora significativa no quadro psiquiátrico de Adélio, com aumento de episódios de alucinação e maior distanciamento da realidade. A avaliação concluiu pelo diagnóstico de esquizofrenia paranoide, uma condição considerada crônica e complexa, que exige acompanhamento contínuo e medidas específicas de cuidado. A análise reforça que o paciente apresenta dificuldades severas de discernimento, o que compromete sua autonomia e capacidade de convivência social sem supervisão adequada.

Os médicos responsáveis pelo parecer afirmam que, diante do quadro atual, Adélio representa um “risco contínuo”, expressão técnica utilizada para indicar a necessidade de protocolos rigorosos de segurança. Segundo o documento, ele não reúne condições de permanecer sem acompanhamento especializado e não apresenta perspectiva de melhora em um ambiente prisional convencional. Por esse motivo, a recomendação é clara ao indicar a internação em hospital psiquiátrico de custódia, estrutura voltada especificamente para pacientes com transtornos mentais em conflito com a lei.

O laudo também destaca que não há qualquer indicação de concessão de liberdade, justamente porque o tratamento adequado depende de um ambiente controlado e de cuidados clínicos permanentes. Os peritos ressaltam que a prioridade deve ser a proteção do próprio paciente e da coletividade, aliada à oferta de tratamento compatível com a gravidade do diagnóstico. Esse entendimento segue parâmetros técnicos adotados em avaliações psiquiátricas forenses no Brasil e em outros países.

Encaminhado de forma sigilosa à 5ª Vara Criminal de Campo Grande, o documento marca uma mudança importante em relação às avaliações anteriores. Em 2019, durante a primeira perícia oficial, Adélio foi considerado inimputável e diagnosticado com transtorno delirante permanente paranoide. À época, a conclusão já afastava a possibilidade de responsabilização penal tradicional, mas indicava um quadro considerado mais estável do que o descrito agora pelos especialistas.

Sete anos depois, os peritos apontam uma deterioração progressiva da saúde mental, com sintomas mais intensos e persistentes. Essa evolução reforça a tese de que o acompanhamento contínuo é indispensável e que decisões judiciais devem levar em conta não apenas o histórico do caso, mas também a condição atual do paciente. O novo diagnóstico pode influenciar diretamente os próximos encaminhamentos judiciais, sempre dentro dos limites legais e médicos estabelecidos.

O caso volta a provocar reflexões sobre como o sistema de Justiça lida com situações que envolvem transtornos mentais severos, segurança pública e direitos humanos. Especialistas defendem que hospitais de custódia não devem ser vistos como punição, mas como espaços de tratamento e proteção. Com a divulgação do laudo, o tema ganha novo fôlego no debate público, evidenciando a importância de decisões baseadas em critérios técnicos, transparência e responsabilidade institucional.